Nota da organizadora


Q

uerido leitor, querida leitora, este livro traz a elaboração de poesias como uma possibilidade pedagógica para a aprendizagem de Geometria. Nesta proposta o foco está no processo e o produto é uma consequência.

Trabalhamos, ao longo do semestre, o tema figuras geométricas e suas propriedades, usando música, poesia, literatura e esculturas. Propus então, à turma, que, como ferramenta avaliativa, que cada estudante criasse uma poesia sobre uma figura geométrica à sua escolha. Esta poesia deveria também ser uma charada para que o leitor e a leitora descobrissem, por meio de seus versos, qual figura estava sendo proposta no poema.

O processo de elaboração de cada poema é uma atividade tanto pessoal, quanto em grupo, uma vez que cada autor e cada autora, ao elaborar seu texto, recorreu a pesquisas pessoais e a diálogos incessantes comigo (professora da disciplina) e com os colegas. Foi, portanto, uma atividade muito proveitosa. Pude acompanhar de perto, a construção dos conceitos estudados em sala de aula se consolidando a cada conversa e orientação individual e coletiva aos estudantes.

Em termos de aprendizagem matemática, sustentamos a nossa proposta na Teoria dos Registros de representação semiótica que diz que o foco deve estar no aprendiz, o que subordina o objeto a ser ensinado à cognição dele, que se liga às questões de representação. Para Duval[1] uma das questões centrais relativas ao aprendizado de Matemática é a confusão que normalmente se estabelece acerca de objeto e representação, o que não ocorre, pelo menos em estágios iniciais, em outras ciências.

Ele afirma que isso se constitui em um paradoxo cognitivo do pensamento matemático, uma vez que se mostra particularmente difícil não confundir um objeto e sua representação, já que não temos acesso a esse objeto a não ser por meio dela. Dessa forma, tal representação não pode ser literal, visto que um objeto matemático, por mais elementar que seja, ao contrário de objetos concretos, não pode ser acessado a não ser por meio de representações que se façam dele.

Portanto, buscamos com este livro, estabelecer relações entre as propriedades escritas e as imagens prototípicas das figuras geométricas geradas por estas propriedades. O fizemos dentro da ludicidade proporcionada pela poesia.

Também é importante destacar que, embora a folha de papel tenha espessura e seja um sólido geométrico no sentido estrito da palavra, mas, para objetivos práticos, desprezamos a sua profundidade e a consideramos uma figura plana, para este livro e para a disciplina como um todo. E isto foi acordado com a turma previamente.

Em tempo, o livro não está organizado em ordem alfabética, nem por tema geométrico (embora uma revisão matemática e gramatical cuidadosa tenha sido feita, é o caos, mas com responsabilidade pedagógica), escolhemos nos expressar livremente, uma vez que a vida mesma é imprevisível, e isto é lindo.



[1] Semiose e Pensamento Humano, lançado no Brasil em 2009.

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