Prefácio


S

empre tive medo de Matemática. Desde pequena. O boletim saía, e eu tremia até não poder mais, tamanha a tensão que os números despertavam em mim.  Por outro lado, a poesia sempre me abraçou.  Como num passe de mágica, era ler um poema e minha alma se acalmar. Todos diziam: essa menina não é dos Números,  é das Letras. E assim segui meu destino a estudar as palavras.

Queria eu ter podido, no meu passado, encontrar essa gente maravilhosa que achou poesia no que faz.  A Matemática não teria sido uma vilã em minha vida, e sim uma grande aliada, como deve ser. Queria eu ter percebido, naquela época, as metáforas geométricas que a vida nos impõe, e não estou aqui para falar de triângulos amorosos não,hein...

Neste livro, Daniela e seus alunos nos mostram que podemos ousar e sair de uma visão quadrada de ensino. Mostram que só se fascina o outro quando chegamos perto dele, ainda que esse perto nos seja tão diferente. Mostram também que diferentes ângulos podem perceber um mesmo ponto, e que não adianta ficar rodando em círculos na vida - há de se mover para fora.

Porque, como Paulo Freire dizia: "Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.”

E haja movimento dessa gente boa, que traz para a Educação o que tem de melhor dentro de si - a capacidade de criar.

É lindo. Matematicamente poético, como a vida deve ser.

 

Anick Silva Elias[1]



[1] Professora de Língua Portuguesa na rede particular e na rede pública estadual do RJ

Graduada em Port/Literaturas pela Faculdade de Letras da UFRJ

Mestranda em Literatura Brasileira - UERJ

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